terça-feira, 30 de março de 2010

Pena de Morte: solução?

A pena de morte é um dos assuntos mais polêmicos e controversos discutidos pela humanidade até os dias de hoje. A discussão, fervorosa por vezes, pode ser travada por questões como os direitos humanos, a crueldade ou não com relação aos diversos métodos aplicados para dar cabo da vida de um ser humano — cadeira elétrica, injeções letais, pelotão de fuzilamento, etc — ou, observando-se o lado religioso, devido ao direito ou não de um ser humano tirar a vida de outro. Será que a pena de morte, ainda que executada oficialmente pela justiça do Estado, será a solução para a violência no mundo?
Analisando os argumentos de quem é defensor desse sistema, podemos ver que não são nem um pouco convincentes. Dizem que essa pena serve para dar exemplo aos criminosos que tomam parte na onda de violência no mundo, mas as estatísticas demonstram que, onde tem sido aplicada, a pena de morte não diminui tanto a criminalidade. Falam ainda que serve para reparar ou compensar a sociedade, que seria um meio de “justiça”. Mas um novo assassinato não compensa o primeiro crime e não repara o mal feito a uma pessoa: o que temos é um sentimento de vingança por parte daqueles que crêem ter sido feita a “justiça”. Outros acreditam que a pena de morte é um meio de defender a sociedade. Mas esse “defender” seria eliminar literalmente o sujeito criminoso? Nesse caso não resta dúvida de que a pena de morte é a única forma de que dispõe a sociedade para, quando não restar outra alternativa, tirar de circulação esses perturbadores do bem comum.
Também é importante falar sobre o perdão. Como relacioná-lo a esse caso? Bom, devemos presumir que, todo aquele que comete algum crime, independente de seus motivos, é um ser humano. O homem, mesmo com todas as dificuldades, loucuras, doenças e ambições, possui sentimentos. O homem, portanto, pode arrepender-se, mudar seu comportamento e em razão disso, quem sabe, ser perdoado. E o Estado que condena um sujeito inocente à pena de morte merece o perdão da sociedade, bem como dos familiares daquele que foi morto injustamente?
A principal finalidade da pena, é a intimidação do próprio delinqüente sendo que sua reeducação e recuperação só podem efetuar-se se o criminoso continuar vivo, obviamente. Se queremos mesmo viver em um mundo mais justo precisamos exercitar o perdão e este inclui uma pena ou penitência reparadora, para favorecer a mudança do espírito, buscando recuperar e restaurar a vida dessas pessoas.

E pensando nesse aspecto gostaria de comentar brevemente sobre o filme: A Vida de David Gale (The Life of David Gale), que aborda justamente esse tema controverso, utilizando como pano de fundo o estado americano do Texas, local onde existe a maior taxa de execuções de pena de morte nos Estados Unidos. Desde 1976, quando a pena de morte foi retomada nos EUA, já foram executadas 337 pessoas. O Texas possui o maior sistema penitenciário dos Estados Unidos, com mais de 150.000 presos atrás das grades. Somente na cidade de Huntsville, apelidada macabramente de Capital Americana da Morte, devido a ser local onde todas as execuções texanas acontecem, existem 9 prisões estaduais.
David Gale, interpretado por Kevin Spacey é um professor de filosofia universitário, que defende veementemente o fim da pena de morte. Sua vida sofre uma reviravolta quando é acusado de estuprar e assassinar uma colega de trabalho, e é trancafiado no Corredor da Morte. Dias antes da execução de sua sentença, por injeção letal, justamente em Huntsville, David resolve chamar uma jornalista, Bitsey Bloom (Kate Winslet), para lhe conceder uma entrevista exclusiva, na qual revela detalhes sobre o crime. Assistam !

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