domingo, 16 de maio de 2010

O Caso do Perdão do Papa.



Três anos depois de ter sido eleito Papa, João Paulo II foi vítima de grave atentado na Praça de São Pedro, no dia 13 de Maio de 1981, durante uma audiência pública, realizada sempre às quartas-feiras, com uma multidão de 10 mil fiéis.

O turco Mehemed Ali Agca disparou três vezes uma pistola Browning de nove milímetros a menos de sete metros de distância, ferindo gravemente o estômago, a mão esquerda e o cotovelo do pontífice.

O Papa foi internado de urgência no Hospital Agostini Gemelli, sendo submetido a uma delicada cirurgia (quer durou mais de 5 horas) para extração de parte de seu intestino. Depois do ocorrido, a sua saúde nunca mais foi a mesma, sendo submetido a outras cirurgias ao longo da sua vida.

Durante todo o tempo que ficou internado, houve comoção de líderes políticos de todo o mundo manifestando repúdio ao atentado (que seria um protesto contra o imperialismo da Rússia e dos Estados Unidos e genocídios em El Salvador e no Afeganistão), além das milhares de pessoas que fizeram vigília na Praça São Pedro.

O atentando ocorreu, coincidentemente, no mesmo dia em que Nossa Senhora de Fátima teria feito sua primeira aparição aos 3 pastorinhos em Portugal, no ano de 1917. Segundo o Sumo Pontífice, foi a Virgem Maria quem o salvou, porque teria "desviado as balas" dele.

Conforme divulgou o secretário de Estado do Vaticano, Angelo Sodano, no ano 2000, o terceiro mistério anunciado pela Virgem aos pastores era a imagem de um bispo vestido de branco que caminhava entre os corpos de mártires caídos ao chão, aparentemente mortos, sob uma chuva de disparos. A Praça de São Pedro é rodeada de imagens de santos e mártires. A revelação do mistério encerrou décadas de suposições, muitas delas relacionando o segredo a profecias apocalípticas como o fim do mundo.

Depois de recuperado, no dia 13 de maio de 1982, o Papa foi até Fátima agradecer por ela ter salvado a sua vida e ofereceu uma das balas que o atingiu ao Santuário (essa bala foi posteriormente colocada na coroa da Virgem). O manto que vestia no dia do atentado foi depositado em um templo da Virgem Maria, em Chestocova, Polônia, em 1983.

Exatamente 4 dias após o atentado, dia 17 de maio de 1981, ainda no hospital, o Papa falou: "Rezai pelo irmão que atirou em mim, a quem sinceramente perdoei."

O turco Mehmet Ali Agca foi detido minutos depois dos disparos e foi condenado à prisão perpétua pela tentativa de assassinato.

Ao chegar à polícia, disse que teve dificuldades para mirar em João Paulo II porque ele segurava uma criança e afirmou que sua ação foi planejada em colaboração com espiões do então governo comunista da Bulgária. Em um julgamento de 1986, promotores não conseguiram provar as acusações de que os serviços secretos búlgaros haviam contratado Agca para matar o papa em nome da União Soviética.

Na época dos disparos, fatos ocorridos na Polônia, país natal do Papa, davam início a um efeito dominó que terminaria por levar ao colapso dos regimes comunistas do Leste Europeu em 1989. João Paulo II apoiava fortemente o sindicato polonês Solidariedade e a maior parte dos historiadores concorda que o Pontífice teve uma participação importante nos eventos que levaram à formação do primeiro governo eleito livremente no Leste Europeu e à queda do Muro de Berlim.

Já preso e passados dois anos do atentado, o Papa visitou o turco na cadeia de Ancona, na região central da Itália e o perdoou.

No ano de 2000, o extremista ganhou a anistia da Justiça italiana. O presidente italiano, Carlo Azeglio Ciampi, emitiu um perdão de Agca e o Papa João Paulo II foi a favor da clemência. Ele foi extraditado para a Turquia, onde foi condenado a prisão perpétua pelo assalto a um banco nos anos 1970 e pelo assassinato do jornalista Abdi Ipecki, em 1978, pena depois comutada para dez anos de prisão, que já foi cumprida.

João Paulo II escreveu seu último livro, pouco tempo antes de morrer, no qual dizia estar convencido de que os disparos não tinham sido uma iniciativa de Agca e que "outra pessoa planejou (a tentativa de assassinato) e outra pessoa a ordenou".

Em setembro de 2009, o Instituto para a Memória Nacional (IPN) da Polônia reabriu o caso sobre a tentativa de assassinato do papa João Paulo II, com o objetivo de determinar se os serviços secretos comunistas polonês e soviético tiveram ligação com o atentado.

Para finalizar, no dia 01 de janeiro de 2002, dia Mundial da Paz, o Papa João Paulo II, condenou o terrorismo, confirmou o direito à auto-defesa, dentro dos limites dos princípios morais e legais, declarou que nenhum líder religioso deve justificar ou pregar o terrorismo e deixou uma mensagem sempre citada: "Não há paz sem justiça, não há justiça sem perdão."



Referência bibliográfica.
Os sites consultados foram:
http://www.correioweb.com.br/hotsites/papa/oatentado.htm
http://www.paperlessarchives.com/pope.html
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI3957967-EI8142,00-Caso+sobre+a+tentativa+de+assassinato+de+Papa+e+reaberto.html
http://business.highbeam.com/436103/article-1G1-81207261/pope-condemns-terrorism-says-there-no-justice-without

Um comentário:

  1. Gostei muito! O blog esta de Parabéns!
    Beijos da Celia Albuquerque

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